Objectivo: Informar pais/filhos sobre as características da adolescência e sobre algumas características da “família funcional”.
Características da adolescência: “ A melhor época da nossa vida...”
A adolescência é a transição entre infância e idade adulta. Existem várias adolescências: a pré-adolescência que vai dos 10 aos 12 anos, o período central que vai dos 13 aos 16 anos e o período final que vai dos 17 aos 21 ou mais... É uma etapa cheia de contrastes e paradoxos onde se descobre a identidade e a personalidade se define.
I) Algumas características da adolescência:
1)Aspectos psicológicos:
- Refúgio/isolamento no seu mundo interior para melhor se conhecer.
- Apatia/energia.
- Aprofundar do conhecimento e consciência de si mesmo.
- Vontade de autonomia, independência e liberdade, frequentemente acompanhada de imaturidade e irresponsabilidade.
- Muito defensivos ao nível da vida íntima e privada.
- Readaptação aos contextos da escola, amigos, família e “amores”.
- Idealização/Imitação de certas pessoas: amigos, ídolos da música/desporto, etc.
- Competências cerebrais mais eficazes (concentração, memória, rapidez de raciocínio, linguagem, etc.) que dá sensação de “poder”, de “saber tudo”, “invencibilidade”...
- Solidão, isolamento, fantasia.
- Instabilidade e sensibilidade são o denominador comum.
- Tomada de consciência de limitações/fraquezas mas também das qualidades.
- Frequentemente obsessivos, compulsivos e impulsivos.
2) Comportamentos sociais, na família e na escola:
- Atitude frequentemente hostil contra normas, contra autoridade em especial quando estão em grupo (afirmação pela oposição).
- Os adultos são encarados como detentores do poder por isso devem ser desafiados.
- Novos interesses, no que respeita a estudos, lazer, desporto podendo ajudar na integração e sentimento de pertença (“compensar” afastamento de família).
- Muito atentos em relação às diferenças com outros adolescentes (roupas, atitudes, competências sociais e de raciocínio, etc.)
- Sobrevalorização da opinião dos outros sobre si (em especial dos pares).
- Encontra nos amigos a compreensão e identificação com os seus papéis e emoções.
- Encontra meios de comunicação alternativos e mais complexos.
- O grupo de amigos é cada vez mais importante.
- São tão intransigentes/intolerantes quanto o seu grau de falta de confiança/segurança.
- Querem a segurança emocional/financeira da família mas exigem a preservação da intimidade/privacidade e “autonomia”.
3) Emoções e sentimentos:
- Sentimentos contrários são o reflexo da instabilidade e “procura de si” (amor/ódio; depressão/euforia; apatia/energia; alegria/tristeza: generosidade/egoísmo).
- Sentimentos de independência e oposição face à família.
- Sentimentos de revolta, mas também de adaptação/pertença a cultura do país.
- Timidez e ausência de confiança dominam frequentemente esta fase.
- Surge o “primeiro amor” e todas as consequências (mesmo se platónico).
- Apesar das paixões e fúrias existe um maior controlo das emoções.
- Tristeza e melancolia.
- Procura fora de casa a “realização” de sentimentos afectivos.
- Estado de vulnerabilidade frequentemente “mascarado” por agressividade verbal e física.
4) Aspectos físicos:
- Adaptação a nova imagem corporal.
- Tenta compreender todas as mudanças hormonais que decorrem (menstruação, mudança do corpo, crescimento, magreza, etc.)
- Mudança da voz, aumento da massa corporal (músculos, peitos, etc.), pilosidade, borbulhas, etc.
5) Alguns problemas:
- Violência, vandalismo e delinquência.
- Adicções (tabaco, álcool, drogas, jogos).
- Perturbações da alimentação.
- Problemas de conduta e abandono escolar.
- Problemas de stress, ansiedade e depressão.
- Problemas ligados à sexualidade (doenças, mães adolescentes etc.).
- Problemas de sono, concentração e organização.
- Comportamentos de risco (peões, provocações, locais perigosos, etc.).
- Suicídio.
6) Algumas soluções: As competências psicossociais:
- Assertividade:
- Resolução de problemas:
- Tomada de decisões:
- Gestão e identificação de sentimentos:
- Gestão de stress:
- Gestão da ansiedade (exemplo da timidez):
- Saber comunicar:
- Desenvolvimento da auto-estima e amor-próprio:
- Tomada de consciência da negação:
II) Família funcional:
A família é um sistema composto de elementos ligados entre si com vários objectivos. Se os diversos elementos estiverem bem ligados (comunicação) e existir organização (regras bem definidas) as probabilidades que os problemas se resolvam melhor serão sempre superiores.
Algumas características:
- Comunicação eficaz: saber ouvir; perceber o que é dito; atingir vários níveis de comunicação; evitar os “segredos” que todos sabem e ninguém fala, etc.
- Saber viver e exprimir os sentimentos que existem entre os diversos elementos da família: saber identificar emoções; evitar a crítica sistemática; evitar a repressão ou “esquecimento” para poder enfrentar as dificuldades; criar um ambiente de confiança e intimidade.
- Evitar os abusos físicos, verbais e psicológicos; promover o reforço positivo.
- Respeitar os limites entre elementos da família; em especial entre gerações (uma mãe não deve ser “como uma irmã”; evitar conflitos diante dos filhos; permitir excesso de poder ao adolescente, etc.
- As regras e normas serem claras e bem definidas: trabalho de equipa; horários estabelecidos; atitudes negociáveis ou não; evitar desresponsabilização parental; consequências e recompensas bem definidas; existência de previsibilidade.
- Autoridade e disciplina não são abusivas: a sua ausência também é prejudicial. O adolescente precisa de regras para sentir seguro.
- Transmissão clara de valores e princípios: não só a honestidade mas também a “solidariedade”, a empatia, o respeito, a competitividade sã, etc.
- Aprender a pedir e a receber o que realmente se quer.
A família poderá assim gerar afectos positivos, segurança e aceitação pessoal; promover satisfação/valorização e um sentimento de utilidade; assegurar a continuação de relações interpessoais boas; promover estabilidade mas também capacidade de adaptação às mudanças. A adolescência é o símbolo da mudança e as sugestões vistas podem permitir uma passagem menos problemática por esta fase da vida.
Dr. Pedro Hubert, 2008