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Jogo patológico: Conceitos básicos

Uma pequena introdução”.

Introdução:

O jogo é para a maioria das pessoas uma actividade recreativa, sem consequências negativas. O jogo afecta apenas uma minoria das pessoas, de forma grave. Esta gravidade varia de intensidade conforme as pessoas e o seu contexto ambiental. As variantes começam na genética e na biologia, passam pelo ambiente familiar, social e cultural, terminando nas características, traços de personalidade, ou mesmo, no facto de residirem perto de um local de jogo, ou não. Tal como as variáveis que predispõem um jogador a tornar-se compulsivo são inúmeras, também as características que fundamentam a base do tratamento são múltiplas. Existe um saber muito próprio no conjugar de todos os factores terapêuticos aplicados àquela pessoa; “própria e específica”, que é diferente de todas as outras, apesar das semelhanças e características comuns desta população.

O típico jogador patológico tem de facto competências óptimas a nível profissional, social, até há quem defenda que possuem um QI mais elevado que a média, etc. No entanto têm uma rede de crenças/distorções cognitivas; uma impulsividade; uma forma incapaz e danosa de identificar e gerir sentimentos, que os arrasta para comportamentos destrutivos. É desta forma, que supostas qualidades revertem no manter de uma atitude egocêntrica que prejudica o próprio e todos à sua volta.

Por isso se sabe, que quando existe motivação para o tratamento e também uma rede assente na família, no cônjuge, no trabalho, na psicoterapia, nos grupos de auto-ajuda (para os próprios e familiares) as percentagens de sucesso aumentam consideravelmente.

Felizmente, em países mais desenvolvidos socialmente e economicamente, uma percentagem dos lucros dos casinos e dos impostos colectados pelo estado, são canalizados para a investigação, para centros de tratamento, para linhas de ajuda, para promoção da prevenção deste comportamento compulsivo (jogo responsável) a todos os níveis, etc., o que nos permite ter algumas ideias sobre o que fazer em Portugal. Lembrando que não existem praticamente estudos elaborados nesta matéria, excepção feita a alguns trabalhos universitários que apenas arranham a superfície do “iceberg”, seria urgente começar trabalhos de investigação em profundidade antes que o problema se agrave.

Urge começar a tomar medidas, pois parece aproximar-se a abertura de uma vaga de casinos, que promete aquecer o país, correndo o risco de se tornar num problema de saúde pública como já aconteceu noutros países (bem mais desenvolvidos).

As consequências a nível económico, profissional, social, familiar, cultural e claro pessoal são inúmeras; convido-o a ver o resto do site para ter uma ideia mais consistente e fundamentada do que foi referido.

 

 

DADOS GERAIS:

1) Definições de jogo e de jogador:

1a) Definição do DMS-IV-TR  (Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais,  4ª edição).

1b) Definição do Guia de estudo para o DMS-IV-TR: Perturbações Do Controlo Dos Impulsos           Não Classificadas Noutro Lugar – Casos Clinicos

1c) Definição do CID-10

(Classificação de transtornos mentais e de comportamento pela Organização Mundial de Saúde)

 

2) Compreendendo o jogo compulsivo: Vários conceitos

2a) A saúde no jogador patológico:

2b) Actividade criminosa

 

3) Crenças ou “distorções cognitivas do jogador”:

3a) Ver conferência sobre crenças

3b) Alguns mitos e crenças

3c) Ver abordagem cognitiva

 

4 ) Prevenção e jogo compulsivo:

4a) O que é jogo responsável:

4b) Pessoas de risco

4c) Se for jogador regular

4d) Os sinais de aviso

 

Teste de avaliação à dependência do jogo:

a) South Oaks Gambling Screen

b) Gamblers Questionnaire Beliefs

c) Gambling Self-Eficacy Questionnaire

d) 20 perguntas de Jogadores Anónimos

 

5) Fases do jogador:

5a) Fase ganhadora:

5b) Fase perdedora ou do resgate:

5c) Fase do Desespero:

5d) Fase da recuperação mediante abstinência:

5e) Existem medos

 

A RECUPERAÇÃO do JOGADOR:

1) Uma adicção diferente das outras

2) Tratamento

a) Centros de tratamento:

Estes centros são úteis em casos de emergência

O centro de tratamento característico

Os tratamentos em ambulatório

b) Modelos explicativos; psicoterapias e suas diferentes abordagens:

O modelo da adicção ou da dependência

O modelo psicanalítico

O modelo integrador de McCormick e Ramírez

A abordem comportamentalista

A abordagem cognitiva

c) Jogadores Anónimos e grupos para familiares:

d) Comorbilidades diagnósticas ao nível de outras dependências e perturbações mentais:

Álcool e drogas

Perturbações psiquiátricas

A tentativa de suicídio e a ideação suicida

e) A família e o jogador:

Como ajudar alguém que tem na sua família um jogador compulsivo:

Se tiver um amigo com este problema experimente:

Evite:

f) O Jogador e a sua actividade profissional:

g) O jogo on-line:

 

Bibliografia:

 

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Definition

1) Definição de jogo e de jogador: Definição do DMS-IV-TR def

(Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, 4ª edição

312.31 JOGO PATOLÓGICO [F63.O]

CARACTERÍSTICAS DE DIAGNÓSTICO

A característica essencial desta perturbação consiste num comportamento desadaptado relativo ao jogo, recorrente e persistente (Critério A), que conduz a disrupção nos objectivos pessoais, familiares e profissionais. O diagnóstico não deve ser feito se o impulso para jogar se inscrever num Episódio Maníaco (Critério B).

O sujeito pode estar preocupado com o jogo (por exemplo, reviver experiências relacionadas com experiências de jogo anteriores, planeamento de novas jogadas ou preocupação com a obtenção de dinheiro para voltar a jogar) (Critério A1).

Alguns jogadores patológicos referem que procuram a «acção» (estado de activação, eufórico) ou a excitação, mais do que o ganho monetário. Manter este estado de excitação obriga frequentemente a apostas progressivamente maiores ou mais arriscadas (Critério A2).

Os jogadores patológicos continuam a jogar apesar de repetidos esforços para controlarem, reduzirem ou pararem este comportamento (Critério A3).

Pode surgir inquietação ou irritabilidade quando tentam diminuir ou deixar de jogar (Critério A4).

 

O sujeito pode jogar como uma forma de escape a problemas ou como alívio de um humor disfórico (sentimentos de desamparo, culpa, ansiedade e depressão) (Critério A5).

 

Um padrão de «resgatar» perdas pode desenvolver-se como uma necessidade urgente de continuar a jogar (geralmente com maiores apostas e correndo maiores riscos) com o objectivo de reparar uma ou mais perdas anteriores. O sujeito pode abandonar a sua estratégia no jogo e tentar reaver numa só jogada tudo o que perdeu. Embora todos os jogadores possam «resgatar» durante curtos períodos, é a tentativa de «resgatar» a longo prazo que melhor caracteriza os jogadores patológicos (Critério A6).

O sujeito pode mentir a familiares, terapeutas e outros, com o objectivo de esconder a extensão do envolvimento com o jogo (Critério A7).

Quando o sujeito esgota todos os seus recursos e crédito, pode envolver-se em comportamentos anti-sociais (por exemplo, falsificação, fraude, roubo ou desfalque) para obter dinheiro (Critério A8).

Pode pôr em perigo ou mesmo perder uma relação pessoal significativa, um emprego e oportunidades académicas ou de carreira por causa do jogo (Critério A9).

O sujeito pode também envolver-se em empréstimos ou fianças pedindo ajuda a familiares ou conhecidos para uma situação económica desesperada causada pelo jogo (Critério AIO).

 

CARACTERÍSTICAS E PERTURBAÇÕES ASSOCIADAS

Características descritivas e perturbações mentais associadas.

Os jogadores patológicos podem apresentar distorções do pensamento (por exemplo, negação, superstição, hiperconfiança, ou sensação de poder e controlo).

Muitos destes sujeitos acreditam que o dinheiro é a causa ou solução para todos os seus problemas.

São com frequência pessoas altamente competitivas, enérgicas, inquietas, que se entediam facilmente.

Procuram exageradamente a aprovação dos outros e por vezes são generosas até à extravagância.

Quando não jogam, podem mostrar-se viciados no trabalho, ou realizarem períodos maciços de trabalho quando deixam os prazos quase expirarem.

Podem ter tendência para desenvolver estados físicos associados ao stress (hipertensão, úlcera péptica, enxaqueca).

Os sujeitos que procuram tratamento por Jogo Patológico têm taxas relativamente elevadas de ideação e tentativas de suicídio.

Estudos de homens com Jogo Patológico sugerem que uma história de sintomas de desatenção e de hiperactividade na infância podem constituir um factor de risco para o desenvolvimento de Jogo Patológico em momento posterior da vida. Têm sido observadas em jogadores patológicos taxas mais elevadas de perturbações como Perturbações do Humor, Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção, Abuso ou Dependência de Substâncias, outras Perturbações do Controlo dos Impulsos, Perturbação Anti-Social da Personalidade, Perturbação Estado-Limite da Personalidade e Perturbação Narcísica da Personalidade.

Dados laboratoriais associados.

Não existem achados laboratoriais diagnósticos do Jogo Patológico. Contudo, diversos achados têm sido considerados anormais em homens com esta perturbação, comparados com sujeitos de controlo. Estes incluem medidas dos neurotransmissores e seus metabólitos no líquido cérebro-espinhal e na urina, e resposta aos testes neuroendócrinos, que implicam anomalias em diversos sistemas neurotransmissores, incluindo os da serotonina, norepinefrina e dopamina.

As anomalias na actividade da monoamino-oxidase nas plaquetas também foi referida em homens com Jogo Patológico. Os sujeitos com esta perturbação podem manifestar elevados níveis de impulsividade nos testes neuropsicológicos.

CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DA CULTURA E GÉNERO

Há variações culturais na prevalência e tipo de actividades ligadas ao jogo (por exemplo: pai go, luta de galos, corridas de cavalos, mercado de valores). Cerca de um terço dos jogadores patológicos são mulheres, mas em diferentes regiões geográficas e culturas, a relação entre géneros pode variar consideravelmente.

As mulheres com esta perturbação sofrem mais frequentemente de depressão e jogam como escape. Estão subrepresentadas em programas de tratamento para jogadores patológicos onde representam somente 2% a 4% da população dos Jogadores Anónimos. Este facto parece ser resultado do maior estigma social que pesa sobre as mulheres que jogam.   

PREVALÊNCIA

A prevalência do Jogo Patológico é influenciada tanto pela disponibilidade e duração do jogo, de tal forma que, com a disponibilidade crescente do jogo legalizado, se tem vindo a gerar um aumento da prevalência do Jogo Patológico.

Estudos comunitários estimam que a prevalência do Jogo Patológico ao longo da vida se situa entre 0,4% e 3,4% dos adultos, embora tenha sido referido que as taxas de prevalências em certas zonas (por exemplo, Porto Rico, Austrália) se elevam a 7%. As taxas mais elevadas de prevalência, que variam entre 2% e 8%, foram relatadas em adolescentes e estudantes liceais. A prevalência do Jogo Patológico pode ser mais elevada em sujeitos que procuram tratamento por Perturbações pelo Uso de Substâncias.

EVOLUÇÃO

O Jogo Patológico começa tipicamente no início da adolescência nos homens e mais tardiamente nas mulheres. Para a maioria dos sujeitos a evolução é insidiosa, embora alguns fiquem «presos» com a sua primeira aposta.

Anos de jogo social podem ser seguidos pelo início abrupto de jogo patológico, o qual pode ser desencadeado por uma maior exposição a estas actividades ou por um factor de stress.

O jogo patológico pode ter um padrão regular ou episódico, mas a evolução desta perturbação é tipicamente crónica.

Há geralmente uma progressão na frequência do comportamento patológico, da quantia apostada e das preocupações relacionadas com o jogo, tais como a obtenção de suporte financeiro para jogar.

A compulsão para jogar aumenta durante períodos de stress ou depressão.

PADRÃO FAMILIAR

O Jogo Patológico e a Dependência do Álcool são mais frequentes em familiares de sujeitos que sofrem desta perturbação do que na população em geral.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Esta perturbação deve ser diferenciada do jogo social ou profissional.

O jogo social ocorre tipicamente com amigos ou colegas, dura um período limitado de tempo e envolve gastos aceitáveis e previsíveis.

No jogo profissional os riscos são limitados e a disciplina é fulcral.

Alguns sujeitos têm problemas relacionados com a sua forma de jogar (por exemplo, apostar com o objectivo de resgatar perdas e perda de controlo) que não preenchem contudo os critérios completos de Jogo Patológico.

A perda do juízo crítico e o jogo excessivo podem ocorrer durante um Episódio Maníaco.

O diagnóstico adicional de Jogo Patológico justifica-se somente se o comportamento não for melhor explicado por um Episódio Maníaco (por exemplo, a história prévia de comportamento de jogo desadaptado em momentos fora do Episódio Maníaco).

Alternativamente, um jogador patológico pode apresentar períodos de comportamento excessivo que se assemelham a um Episódio Maníaco. No entanto, uma vez fora do contexto do jogo, estas características de tipo maníaco cessam.

Os problemas com o jogo podem ocorrer também em sujeitos com Perturbação Anti-Social da Personalidade; se forem preenchidos os critérios para ambas as perturbações, podem ser dados os dois diagnósticos.

Fonte: American Psychiatric Association 

 

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Guia de Estudo

Guia de Estudo Para o DSM-IV-TR - Perturbações Do Controlo Dos Impulsos Não Classificadas Noutro Lugar – Casos Clinicos

 

Estou só a tentar recuperar

 

Craig é um homem com trinta e dois anos de idade, pai de dois filhos, divorciado e que se encontra à beira de um processo de insolvência. Retrospectivamente, as causas dos problemas actuais de Craig já eram evidentes no último semestre em que frequentou o liceu. Tinha sido aceite por uma universidade prestigiada e preenchia todos os requisitos para a formatura. Craig sempre fora um estudante aplicado, que dedicava o seu tempo quase exclusivamente ao estudo. Repentinamente, os seus deveres académicos ficaram muito reduzidos. Começou a passar o seu tempo livre com um grupo de amigos, de famílias abastadas, que costumavam jogar cartas a dinheiro e apostar nas corridas de cavalos. Embora o dinheiro não lhe abundasse, Craig considerava que os seus parcos ganhos ao poquer e nas corridas de cavalos lhe proporcionavam uma satisfação que nunca antes sentira.

Craig teve bons resultados na universidade e foi admitido numa escola de medicina dentária. Continuou a jogar cartas e a apostar nos cavalos através de uma agência local. Tinha-se já tornado num experiente jogador e geralmente terminava com lucro as suas noites de jogo. Nas corridas de cavalos tinha menor sucesso, mas considerava este tipo de aposta mais excitante. Considerava o poquer uma ciência, mas para ele eram as corridas de cavalos o verdadeiro jogo. Embora os seus ganhos não fossem consideráveis, aquilo que mais o excitava era o facto de considerar que estava a submeter um pequeno elemento da sua vida aos caprichos da sorte.

Quando ainda frequentava a escola de medicina dentária, começou a conceber um sistema que melhorasse as suas probabilidades de vencer nas corridas de cavalos. Este sistema proporcionava-lhe pouco mais sucesso do que as apostas cegas. No terceiro ano do curso Craig conheceu Betsy, a mulher com a qual viria a casar-se quando se formou. Um ano mais tarde nasceu o seu primeiro filho, ao qual se seguiu uma nova criança dezoito meses depois. Craig abriu um consultório especializado em medicina dentária estética e, três a quatro anos mais tarde, a sua situação financeira era desafogada.

O paciente continuou a trabalhar no seu sistema de jogo. À medida que ganhava mais dinheiro, mais apostava usando o seu sistema. Craig nunca revelou à mulher as quantias que desembolsava no jogo. Para poupar tempo, colocava as apostas directamente do seu consultório, através de um corretor local. Prestava grande atenção às estatísticas das corridas, apostava judiciosamente e, em geral, acabava a ganhar.

Gradualmente, Craig começou a aumentar o valor das apostas. Certo dia, depois de uma cuidadosa análise, apostou uma grande quantia num cavalo que pagava dez para um. O cavalo venceu e Craig arrecadou uma enorme quantia. Persuadiu-se de que possuía um sistema à prova de fogo, capaz de bater todas as probabilidades negativas. Ofereceu à mulher um automóvel novo e ambos fizeram uma viagem à Europa com os dois filhos, durante três semanas.

Quando Craig regressou das férias, o seu optimismo não tinha limites. Já não se excitava com as pequenas e cuidadosas apostas que antes fazia e passou, rotineiramente, a apostar grandes somas, na convicção de que não poderia perder, e com intensa sensação de excitação. Agora, porém, a sua sorte começara a mudar e ele perdia mais vezes do que ganhava. Tentou por diversas vezes diminuir ou parar as apostas, o que apenas contribuía para o tornar irritável, inquieto e fazê-lo recomeçar.

Em vez de jogar de forma mais judiciosa ou conservadora, Craig entrou num frenesi e aumentava cada vez mais as apostas. A sua vida pessoal e profissional estruturavam-se em função das apostas nas corridas de cavalos. Telefonava várias vezes por dia ao corretor, para apostar e tomar conhecimento dos resultados. Muitas vezes, chegava a interromper intempestivamente os tratamen­tos dos seus pacientes para fazer apostas. À medida que as suas perdas aumentavam, Craig aumentava também as quantias que arriscava, na tentativa de recuperar.

Craig começou a gastar o dinheiro que o casal possuía nas suas contas de poupança para financiar o jogo. Quando a mulher descobriu o desaparecimento do dinheiro, confrontou o marido com esse facto. Craig mentiu-lhe, dizendo que investira o dinheiro numa pequena empresa de produtos dentários. A mulher, embora não perdendo todas as suspeitas, acreditou.

À medida que Craig continuou a jogar e a perder, começou a arriscar o dinheiro necessário aos pagamentos relativos à educação dos filhos, aos fornecedores e à hipoteca. Quando a mulher viu os avisos de falta de pagamento da hipoteca, voltou a confrontar o marido. Craig acabou por confessar que jogava e concordou em procurar tratamento. Contudo, a terapia não teve sucesso. Craig começou a contrair empréstimos junto dos amigos e, em seguida, junto de usurários.

Finalmente, depois de um ano de incerteza financeira, a mulher abandonou-o, levando os filhos consigo. O consultório de Craig desmoronou-se, ao mesmo tempo que ele tentava desesperadamente reunir dinheiro para continuar a apostar e recuperar as perdas. Por fim, declarou-se insolvente. Ainda assim, tentou, junto do corretor, colocar pequenas apostas com o pouco dinheiro que tinha no bolso.

Característica essencial da categoria de diagnóstico

A característica essencial das Perturbações do Controlo dos Impulsos é a prá­tica repetida de actos impulsivos que conduzem a danos físicos ou financeiros do próprio ou de terceiros, dos quais muitas vezes resulta uma sensação de alívio ou de libertação da tensão.

Definição

Impulso - ímpeto ou desejo súbito de realizar um acto que muitas vezes resul­ta numa sensação de alívio ou de libertação de tensão.

Guia de Estudo para o DSM-IV-TR

Michael A. Fauman Ph. D. M.D.

Text Review

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DefiniçõeCID10s de jogo

1c) Definições de jogo e de jogador: Definição do CID-10

(Classificação de transtornos mentais e de comportamento pela Organização Mundial de Saúde)

F60 — F69

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE E COMPORTAMENTO EM ADULTOS

 F63 - Transtornos de hábitos e impulsos

 Essa categoria inclui certos transtornos de comportamento não classificáveis sob outras rubricas. Eles são caracterizados por actos repetidos que não têm nenhuma motivação racional clara e que geralmente prejudicam os interesses do próprio paciente e aqueles de outras pessoas.

O paciente relata que o comportamento está associado a impulsos e acção que não podem ser controlados.

As causas dessas condições não são compreendidas; os transtornos estão agrupados por causa de amplas similaridades descritivas e não por conhecimento de que compartilhem quaisquer outros aspectos importantes.

Por convenção, o uso excessivo habitual de álcool ou drogas (FIO-F19) e transtornos de hábitos e impulsos, envolvendo comportamento sexual (F65. —) ou alimentar (F52. —), são excluídos.

F63.0 - Jogo patológico

O transtorno consiste de frequentes e repetidos episódios de jogo, os quais dominam a vida do indivíduo em detrimento de valores e compromissos sociais, ocupacionais, materiais e familiares.

Aqueles que sofrem desse transtorno podem pôr em risco seu trabalho, contrair grandes dívidas e mentir ou violar a lei para obter dinheiro ou evitar o pagamento de suas dívidas. Eles descrevem um ímpeto intenso de jogar, o qual é difícil de controlar, junto com uma preocupação com ideias e imagens do acto de jogar e das circunstâncias que rodeiam o acto.

Essas preocupações e ímpetos frequentemente aumentam em períodos nos quais a vida está stressante.

O transtorno é também denominado "jogo compulsivo", mas esse termo é menos apropriado porque o comportamento não é compulsivo no sentido técnico, nem o transtorno está relacionado com a neurose obsessivo-compulsiva.

Directrizes diagnosticas

O aspecto essencial do transtorno é jogar persistente e repetidamente, o que contínua e frequentemente aumenta a despeito de consequências sociais adversas, tais como empobrecimento, comprometimento das relações familiares e ruptura da vida pessoal.

Inclui: jogo compulsivo

 

Diagnóstico diferencial. O jogo patológico deve ser distinguido de:

(a) jogo e aposta (Z72.6) (jogo frequente por excitação ou em uma tentativa de ganhar dinheiro; pessoas nessa categoria provavelmente refreiam seu hábito quando confrontadas com perdas importantes ou outros efeitos adversos);

(b) jogo excessivo em pacientes maníacos (F30. —);

(c) jogo em personalidades sociopáticas (F60.2) (nas quais há uma perturbação persistente e mais ampla do comportamento social, demonstrada em actos que são agressivos ou que, de outras maneiras, mostrem falta de consideração marcante pelo bem-estar e sentimentos de outras pessoal.

 

  WHO home

Fonte: Organização Mundial de Saúde

Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10

 

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2) Compreendendo o jogo compulsivo:

 Antes de ser patológico o comportamento da pessoa que joga é de cariz recreativo. Existia, com certeza divertimento, excitação e euforia. A maior parte dos jogadores obedece a este tipo. Nestes textos, abordaremos sempre a problemática do jogador patológico e não do jogador recreativo. Com o tempo, algumas destas pessoas começaram a desenvolver determinadas crenças e certezas, ligadas a certas emoções, que as fizeram voltar repetidamente ao local do jogo. Começaram a tornar-se “entendidos” tanto sobre o jogo em si, como sobre a forma de vencer. Ganhar não só contra as probabilidades, como contra as suas próprias necessidades de afirmação. È óbvio, que a promoção e publicidade, privada e estatal, de forma mais ou menos evidente, irá resultar num aumento desta minoria de “compulsivos” que se desenvolve numa relação directa com o aumento de jogadores recreativos; ou seja; quantos mais locais e formas de jogo houver, mais jogadores existirão sendo que, confirmadamente, uma minoria deste se tornará abusiva ou dependente.

É para todos os efeitos uma doença, reconhecida e definida aos mais altos níveis como se viu anteriormente. Uma doença chamada “dependência” ou adicção”, em que tal como todas as outras tem por base dois critérios base: a) síndroma de abstinência  significando no fundo que existe irritabilidade, desconforto que pode ir até ao intenso mal estar (psicológico e físico) se não se joga e b) síndroma de tolerância que representa a necessidade de aumentar a intensidade da aposta para conseguir obter o mesmo efeito produzido anteriormente. Existem outras características comuns às outras adicções como: baixa tolerância à frustração, dificuldade em identificar e gerir sentimentos e emoções, impulsividade marcada em várias áreas, insatisfação crónica, marcada intensidade em mecanismos de defesa como a negação ou a racionalização, etc.

Muitas teorias e abordagens psicoterapêuticas contribuíram para a explicação e causas desta problemática. Estes conceitos serão desenvolvidos posteriormente sendo de realçar que nenhum por si só, é satisfatório ou mesmo conclusivo.

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2a) A saúde no jogador patológico: asaude

Não é por ser uma adicção sem substância, que não existem sintomas físicos no jogador patológico. Antes de mais, são sujeitos a problemas ligados ao stress numa intensidade muito superior aos que não jogam, revela Wynne Ressources (1994). Escolheu-se uma investigação mais aprofundada, efectuada em várias cidades dos Estados Unidos a membros dos jogadores anónimos, que ilustra significativamente esta problemática, Lorenz e Yaffee (1986).Os questionários revelaram que os jogadores sofriam de problemas de cariz psicossomático durante os períodos de jogo activo. Os problemas mais mencionados foram; depressão (46%); problemas de estômago (51%); insónia (35%); dores de cabeças ou enxaquecas (29%); asma (18%); tensão alta (17%); dores nas costas (17%); angina, “dores no coração” e palpitações (16%). Muitos destes jogadores referiram, que estes problemas estavam relacionados com a necessidade desesperada de dinheiro (62%); sentimentos depressivos (39%); sentimentos de culpa (35%); sentimento de isolamento (22%) e medo de perderem o emprego e/ou terem problemas judiciais (12%). A maior parte destes casos salientou a ausência destes sintomas quando entraram em abstinência de qualquer tipo de aposta a dinheiro.

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2b) Actividade criminosa: actividade

Numa investigação de Bland et al (1993), com 30 jogadores patológicos, conclui-se que 60% tinham estado envolvidos em empréstimos ou roubo de dinheiro para poder continuar a jogar; 30% tinham sido detidos por infracções várias; 27% por condução sob efeito de álcool e 28% foram condenados por crimes qualificados (dolosos). Escolheu-se esta amostra por ser representativa e os seus valores se assemelharem a investigações efectuadas na Europa. Um trabalho de Lesieur (1987), vai mais longe, referindo que a maioria dos detidos, e dois terços dos jogadores não detidos, tiveram estes problemas numa relação directa com o jogo compulsivo.

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3) Crenças ou “distorções cognitivas do jogador” crença

Ver conferência sobre crenças:

Alguns mitos e crenças:

Acreditarem que podem influenciar o resultado; pensamento mágico; rituais e superstições; possuem sistemas quase infalíveis; personificação da máquina em que jogam; “intuição certa” de estar quase a dar volta à sorte; serem especiais e diferentes; existência de máquinas boas e más; jogar ao limite é a verdadeira arte de gozar a vida; certeza de ir recuperar o dinheiro perdido; etc.

Ver abordagem cognitiva.

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4) Prevenção e jogo compulsivo: prevent

4a) O que é jogo responsável: oque

È uma actividade que tem por objectivo o aprender a jogar de forma salutar. Pode ser desenvolvida por várias entidades e instituições como, por exemplo: câmaras municipais e juntas de freguesia; entidades governamentais criadas com esse objectivo; associações criadas para o efeito com pessoas formadas para o efeito, psicólogos e psicoterapeutas com formação nesta área específica; os próprios casinos têm essa responsabilidade; etc.

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pessoas

4b) Pessoas de risco  

 São consideradas pessoas de risco, todas aquelas que, por algum motivo, possam evoluir no sentido do abuso e dependência em relação ao jogo. Tentou-se escolher os segmentos de população que são mais vulneráveis a esta problemática, sendo óbvio, que poderia constar nesta lista um número de itens muito superior, assim como poderiam estar muito mais desenvolvidos.

Em primeiro lugar surgem os reformados, pois possuem muito tempo, uma liquidez financeira relativa e contínua, um passado que lhes diz serem capazes de controlar o jogo e porque não, aumentar a qualidade de vida, etc. 2) Os adolescentes ou jovens adultos, pois precisam sempre de mais dinheiro para o seu dia a dia, enraízam hábitos(dependências) facilmente, estão muito sujeito ao stress, existem níveis elevados de imaturidade e irresponsabilidade, aumenta os níveis de euforia e desafio muito próprios destas idades, etc., 3) Pessoas em crises emocionais ou financeiras, pois são facilmente seduzidas pelo marketing e pelas soluções fáceis e rápidas, porque sentem não ter nada a perder, etc., 4)jogadores regulares, porque seguem a evolução muito característica de qualquer adicção, que consiste no uso-abuso-dependência, sendo que a fase de abuso pode durar, de forma “controlada” vários anos até entrar na fase do desgoverno. São pessoas, cujo jogo faz parte da vivência diária e semanal, estando por isso mais condicionados a uma inversão de prioridades nas suas actividades. Em quinto lugar, temos as pessoas que já cresceram num ambiente, em que padrões de comportamento relativos ao jogo como as apostas, a euforia, o acreditar num “saber jogar” fazem quase parte da personalidade do jogador, é encarado como uma tradição natural e faz parte integrante das actividades recreativas. 6)Pessoas em que haja outras dependências na família, pois adquirem padrões de pensamento e comportamento, assim como mecanismos de defesa muito próprios e arreigados que os fazem evoluir nesta adicção, que por vezes difere das adicções da família de origem. São os típicos filhos adultos de famílias disfuncionais. 7)Está amplamente divulgado em investigações várias, e é quase uma característica dos jogadores patológicos, o facto de terem outra dependência (seja álcool, droga, sexo, compras, etc.) ou terem algum tipo de perturbação mental. 8)Pessoas com elevados níveis de stress, ansiedade e depressão têm um maior risco, pois utilizam o jogo para lidar com estes problemas, o que não faz mais do que reforçar os sintomas previamente existentes. 9) A proximidade dos locais de jogo, é um factor determinante no aumento de jogo compulsivo pelas pessoas que vivem lá perto. O acesso fácil, os diversos “chamarizes e variedades”, serviços de hotelaria, assim como os próprios comportamentos repetidos, produzem uma habituação que pode ou não, tornar-se problemática.

Estes pontos acima referidos são apenas tópicos e poderiam ser amplamente desenvolvidos, mas esse não é o objectivo desta introdução à compreensão do jogo patológico.

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sefor

4c) Se for jogador regular: ou sente que por vezes tem abusado, então o ideal será prestar atenção e eventualmente seguir algumas destas sugestões.

1) Evite locais de jogo, se estiver sob stress, ansiedade ou depressão. Jogar, apenas vai torná-lo mais dependente de uma actividade externa (e muito adictiva) para resolver um problema interno.

2) evite jogar como se fosse um investimento, ou uma forma de realizar dinheiro; lembre-se das estatísticas, das leis das probabilidades e de quem tem o retorno financeiro geralmente...

3) Evite jogar para se alhear dos seus problemas. Pode esquecer-se deles durante umas horas, mas eles estão lá acrescidos de mais alguns (tempo e dinheiro perdido).

4) Evite jogar se o faz por necessidade de viver emoções intensas, pois as mais intensas de todas vão ser dolorosas e esta procura de emoções fortes é uma das características da adicção ao jogo.

5) Leve uma quantia pré-determinada para jogar (deixe os cartões de crédito em casa e não no carro)..., ou saia quando está a ganhar.

6) Determine um tempo previamente definido de permanência no local de jogo.

7) Vá com alguém que o conheça bem, tenha um bom ascendente sobre si, e não pactue com a sua compulsão pela aposta.

8) Evite jogar se perdeu na véspera e está a sentir que vai mesmo recuperar o prejuízo. Em especial, se tem o pensamento que assim poderá resolver todos os problemas de uma só vez. Esta é outra das crenças principais da adicção ao jogo.

9) Evite jogar se sente um forte impulso para o fazer (não é por acaso que está classificado no DSM-IV como perturbação dos impulsos). Vá adiando a vontade de jogar, fale com alguém e ocupe-se com outros afazeres até lhe passar.

10) Mantenha o jogo nas mesmas proporções das outras actividades lúdicas e mantenha as prioridades na sua vida bem definidas.

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sinais

4d) Os sinais de aviso podem ser vários, mas os seguintes são os mais representativos:

1) Se joga para não sentir, para não estar preocupado com eventuais problemas que possa ter, se joga para se abstrair e alhear da “realidade”.

2) Se encara o jogo do ponto vista do investimento financeiro, a fim de aumentar a qualidade de vida e dos seus familiares. Muitas vezes, os jogadores acham que merecem um tipo vida melhor por se considerarem “especiais e diferentes” e não se ajustarem a uma vida rotineira.

3)Se pede dinheiro emprestado para ir jogar, ou para ir pagar dívidas relacionadas com o jogo.

4) quando verifica que tem grande dificuldade, ou mesmo incapacidade para parar de jogar; estando a ganhar ou a perder. 

5)Se perde facilmente a noção do tempo e do dinheiro que gastou, chegando a ficar sem dinheiro, tendo gastado muito mais do que previsto.

6) Os problemas a nível profissional começam a ser notórios em termos de assiduidade, pontualidade, concentração, planeamento, produtividade, etc.

7) tem sentido ao longo deste período um aumento de stress, enxaquecas, ansiedade, depressão, insónias e hipertensão. Existem muitos sintomas físicos para além destes, incidindo geralmente nos pontos mais vulneráveis de cada um (asma, úlceras, etc.).

8) acontece quase sistematicamente que joga mais tempo e maiores quantidades de dinheiro em cada ida ao casino.

9) Está constantemente a pensar e a programar ir jogar novamente, sentindo remorsos imediatamente a seguir a fazê-lo.

10) Sempre que perde, sente uma irresistível vontade e necessidade de recuperar o dinheiro gasto, acreditando fortemente que o vai conseguir.

11) Tem vindo a mentir e a omitir factos relacionados com o jogo, pois sabe que isso colocaria entraves à manutenção do seu jogo activo.

12)Em geral, sente-se distante, triste, desesperado, só e com baixa auto-estima. Sente que está a perder o controlo da sua vida aos poucos.

13) Já sentiu, pelo menos uma vez, a sua reputação ameaçada, ou fez grandes esforços para a manter intacta.

14) Já colocou em risco relações conjugais, familiares, profissionais ou sociais de vidos ao jogo. Sente que ameaçou ou corrompeu certos valores e princípios, que eram anteriormente inquestionáveis.

15) Já ponderou seriamente deixar de jogar e fazer algo de concreto nesse sentido, por sentir que certas situações foram “longe demais”.

Quantas mais respostas forem afirmativas, maiores serão os seus problemas de jogo patológico. Quanto mais cedo pedir ajuda para tentar resolvê-los, mais depressa terá a possibilidade de perceber as soluções, podendo assim pô-las em prática. Se decidiu deixar de jogar e está disposto a seguir sugestões de profissionais ou de Jogadores Anónimos, então, tem boas probabilidades de entrar em abstinência de jogo.

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SOGS

Teste de avaliação à dependência do jogo:

South Oaks Gambling Screen:

SOGS

 

1.   Indique por favor em qual ou quais do seguintes tipos de jogo já apostou ao longo da sua vida. (Para uma resposta mais específica, responda ao tipo de jogo pensando entre os últimos 3 a 6 meses). Para cada tipo de jogo assinale uma das hipóteses de resposta “Nenhuma”, “Menos de uma vez por semana”, “Uma vez ou mais por semana

 

 

 

Nenhuma

Menos de Uma Vez

por semana

Uma vez ou mais

 por semana

a.

Raspadinha……………………………………….

ڤ

ڤ

ڤ

 

b.

Lotaria…………………………………………….

ڤ

ڤ

ڤ

 

c.

Totoloto/Euromilhões…………………………….

ڤ

ڤ

ڤ

 

d.

Totobola/Totogolo…………………………..........

ڤ

ڤ

ڤ

 

e.

Slot Machines (máquinas de póker, de frutos, etc.)

ڤ

ڤ

ڤ

 

f.

Bingo……………………………………………...

ڤ

ڤ

ڤ

 

g.

Jogos de Casino…………………………………..

ڤ

ڤ

ڤ

 

h.

Jogos de Cartas a dinheiro………………………..

ڤ

ڤ

ڤ

 

i.

Jogos de dados a dinheiro ………………………..

ڤ

ڤ

ڤ

 

j.

Rifas (para angariação de fundos)………………..

ڤ

ڤ

ڤ

 

k.

Jogos de perícia: bilhar, snoker ou golf a dinheiro

ڤ

ڤ

ڤ

 

l.

Jogos desportivos…………………………………

ڤ

ڤ

ڤ

 

m.

Corridas de cavalos……………………………….

ڤ

ڤ

ڤ

 

n.

Investimentos especulativos em acções, títulos ou certificados………………………………………..

ڤ

ڤ

ڤ

 

2.   Qual foi a maior quantia de dinheiro que gastou a jogar num só dia? (Assinale apenas uma das opções)

 

Nunca apostei dinheiro no jogo……………………….

ڤ

 

Menos de 1€…………………………………………...

ڤ

 

Entre 1 a 10€…………………………………………..

ڤ

 

Entre 10 a 100€………………………………………..

ڤ

 

Entre 100 a 1000€……………………………………..

ڤ

 

Entre 1000 a 10.000€………………………………….

ڤ

 

Mais de 10.000€……………………………………….

ڤ

 

3.   Assinale com uma (X) qual ou quais das seguintes pessoas tem (ou teve) problemas com o jogo?

 

Pai……………………………………………………..

ڤ

 

Mãe……………………………………………………

ڤ

 

Irmão ou Irmã…………………………………………

ڤ

 

Avô ou Avó……………………………………………

ڤ

 

Marido/Esposa ou companheira(o)……………………

ڤ

 

Filho(os)……………………………………………….

ڤ

 

Um amigo ou alguém importante para mim…………..

ڤ

 

4.   Quando joga e perde, com que frequência volta novamente no outro dia a jogar para recuperar o dinheiro que perdeu? (Assinale apenas uma das opções)

 

Nunca……………………………………………………

ڤ

 

Algumas vezes (menos de metade das vezes que perco)..

ڤ

 

A maior parte das vezes que perco……………………...

ڤ

 

Sempre que perco……………………………………….

ڤ

 

5.   Alguma vez afirmou ter ganho dinheiro ao jogo, não sendo verdade? De facto, até perdeu?

 

Não (ou nunca joguei)………………………………..

ڤ

 

Sim, menos de metade das vezes que perco…………..

ڤ

 

Sim na maior parte das vezes……………….…………

ڤ

 

 

6.   Sente que tem um problema com as apostas a dinheiro ou com o jogo?

 

Não………………….…………………………………

ڤ

 

Sim, no passado mas agora não……………………….

ڤ

 

Sim na maior parte das vezes……………….…………

ڤ

 

7.   Alguma vez jogou ou apostou mais do que pretendia?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

8.   Já houve pessoas que o criticaram pelas apostas que faz e/ou lhe disseram que tinha problemas com o jogo, de qualquer maneira quer queira ou não tem a noção de que essas criticas são verdadeiras?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

 

9.   Alguma vez se sentiu culpado(a) sobre a forma como joga, ou isso acontece enquanto joga?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

10. Alguma vez sentiu como se quisesse parar de apostar dinheiro ou de jogar mas que não era capaz?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

11. Alguma vez escondeu talões de apostas, bilhetes de lotaria, dinheiro de jogo ou outros sinais de apostas ou de jogo da sua esposa(o)/companheira(o), filhos ou outra pessoa importante para si?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

12. Alguma vez discutiu com as pessoas com quem vive sobre como gere o dinheiro…, lida com o dinheiro…, usa o dinheiro… e/ou gasta o dinheiro?…

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

13. (Se respondeu Sim à questão nº12). As discussões sobre dinheiro referem-se às suas apostas no jogo?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

14. Já alguma vez pediu um empréstimo a alguém e não pagou devido ao jogo?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

15. Alguma vez chegou atrasado(a) ao trabalho (ou escola) devido ao jogo?

 

Não

ڤ

Sim

ڤ

 

16. Se tiver de pedir dinheiro emprestado para o jogo ou para pagar dividas de jogo, a quem ou onde obtêm esse dinheiro (Assinale “Sim” ou “Não” para cada uma das afirmações)

 

a. Do dinheiro para casa…………………………………………….

Nãoٱ   Simٱ

 

b. Esposa(o)/Companheira(o)………………………………………

Nãoٱ   Simٱ

 

c. Outros familiares…………………………………………………

Nãoٱ   Simٱ

 

d. Bancos, Empresas de empréstimos, ou sociedades de créditos…..

Nãoٱ   Simٱ

 

e. Cartões de Crédito………………………………………………..

Nãoٱ   Simٱ

 

f. Agiotas……………………………………………………………

Nãoٱ   Simٱ

 

g. Troca de títulos, acções, certificados de aforro ou outros………..

Nãoٱ   Simٱ

 

h. Venda de propriedades ou bens pessoais………………………...

Nãoٱ   Simٱ

 

i. Pede empréstimo pessoal ou passa cheques sem cobertura………

Nãoٱ   Simٱ

 

j. Tem (ou teve) uma linha de crédito com um corrector de apostas.

Nãoٱ   Simٱ

 

k. Tem (ou teve) uma linha de crédito com o casino……………….

Nãoٱ   Simٱ

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GQB

Gamblers Questionnaire Beliefs

 

 

GBQ

 

Instruções: Leia com atenção cada uma das seguintes afirmações e avalie o grau de discordância ou de concordância com cada uma delas, colocando à frente da cada afirmação um número de acordo com a seguinte escala:

 

1

2

3

4

5

6

7

Discordo Totalmente

Discordo

Discordo um pouco

Nem discordo nem concordo

Concordo um Pouco

Concordo

Concordo Totalmente

 

1.

Penso no jogo como um desafio…………………………………………………………………..

 

 

2.

O meu conhecimento e perícia no jogo contribuem para aumentar a probabilidade de ganhar dinheiro……………………………………………………………………………………………

 

 

3.

As minhas acções e escolhas afectam o jogo no qual aposto……………………………………..

 

 

4.

Se estou a jogar e a perder, devo continuar a jogar para não perder nenhuma hipótese de ganhar………………………………………………………………………………………...........

 

 

5.

Devo ter em conta como apostei e ganhei no passado, de forma a poder saber como apostar no futuro……………………………………………………………………………………………....

 

 

6.

Quando jogo, e acontece que estou perto de ganhar ou perder, sinto que se continuar a jogar irei ganhar……………………………………………………………………………………………...

 

 

7.

Jogar é mais do que apenas mera sorte……………………………………………………………

 

 

8.

Os meus ganhos ao jogo são a prova da minha perícia e conhecimentos relacionados com o jogo………………………………………………………………………………………………..

 

 

9.

Tenho uma técnica de sorte que uso quando jogo…………………………………………….......

 

 

10.

A longo prazo, ganharei mais dinheiro do que perderei com o jogo………………………….......

 

 

11.

Embora possa estar a perder com a minha estratégia de jogo, devo continuar com essa estratégia porque sei que no fim acabará por resultar………………………………………………………..

 

 

12.

Há certas coisas que faço quando aposto (tamborilar com os dedos um certo número de vezes, segurar a minha moeda da sorte, fazer figas, etc) porque aumenta a minha hipótese de ganhar……………………………………………………………………………………………..

 

 

13.

Se perder dinheiro ao jogo, devo tentar recuperá-lo………………………………………………

 

 

14.

Aqueles que não jogam muito não compreendem que o sucesso ao jogo requer dedicação e disposição para investir algum dinheiro…………………………………………………………..

 

 

15.

Onde eu consigo dinheiro para jogar não interessa, porque eu sei que vou ganhar e poder pagar………………………………………………………………………………………………

 

 

16.

Sou bastante preciso em prever quando a sorte está a mudar……………………………………..

 

 

17.

Jogar é para mim a melhor forma de sentir prazer………………………………………………..

 

 

18.

Se continuar a jogar, acabarei por ter a compensação e conseguirei ganhar dinheiro…………….

 

 

19.

Tenho mais capacidade e conhecimentos relacionados com o jogo do que a maior parte das pessoas que jogam…………………………………………………………………………….......

 

 

20.

Quando perco ao jogo, as minhas perdas não são tão más se não disser aos meus familiares e amigos………………………………………………………………………………………..........

 

 

21.

Devo manter a mesma aposta, ainda que não se tenha revelado a mais acertada ultimamente, pois está destinada a ganhar……………………………………………………………………….

 

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GSEQ

 

Gambling Self-Eficacy Questionnaire

 

GSEQ

 

Imagine-se numa série de situações apresentadas, relacionadas com problemas no controlo do comportamento com o jogo. Para cada uma das situações, qual seria o seu grau de confiança na resolução do problema, sendo o controlo do comportamento de jogo definido em função do tempo e dinheiro gastos directamente com esta actividade. Faça a sua avaliação conforme o menor ou maior grau de confiança numa escala de 0 a 100, em que 0 significa ‘Menor grau de confiança’ e 100 ‘Maior Grau de Confiança’.

 

1.

Se sentisse que estava ‘demasiado em baixo’………………………….……………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

2.

Se houvesse discussões em casa…………………………………….………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

3.

Se estivesse com problemas com o sono…………………………….……………...

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

4.

Se tivesse uma discussão com um amigo/a..………………………….……………..

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

5.

Se me sentisse confiante e descontraído……………………………….……………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

6.

Se estivesse a divertir-me e quisesse sentir-me ainda melhor………………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

7.

Se tivesse perdido dinheiro no jogo num dia e sentisse que poderia vir a ganhá-lo no dia seguinte………………………………………………………………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

8.

Se estivesse num local onde outras pessoas estivessem a jogar…………………….

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

9.

Se questionasse o meu autocontrole sobre o jogo e quisesse testá-lo………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

10.

Se estivesse zangado em relação à forma como as coisas acontecem………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

11.

Se estivesse descontraído com um amigo e quiséssemos passar um bom bocado….

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

12.

Se sentisse o meu estômago “atado em nós"………………………………………..

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

13.

Se estivesse com amigos numa “saída nocturna” e quisesse aumentar o meu divertimento…………………………………………………………………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

14.

Se encontrasse um amigo/a que sugerisse irmos jogar juntos………………………

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

15.

Se tivesse subitamente um impulso para jogar………………………………….......

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

 

 

 

16.

Se quisesse provar a mim próprio que podia apostar mais algumas vezes sem perder o controlo…………………………………………………………………….

0..20.. 40.. 60.. 80.. 100

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20

20 perguntas de Jogadores Anónimos

 

5) Fases do jogador:

Fase ganhadora:

Neste período de tempo existem de facto ganhos e muitas vezes as perdas são fortemente compensadas. È de facto, o pior que pode acontecer àqueles que possuem uma predisposição a jogar compulsivamente. Ouvem-se frequentemente frases do género “continuei a jogar à espera de outro prémio igual àquele que me permitiu regularizar toda a minha situação financeira e ir de férias quinze dias com a minha mulher para as Maldivas”. Estes prémios que acontecem uma ou outra vez nesta fase, correspondendo a vários meses de ordenado, criam no jogador um traço mnésico intenso muito ligado a um sentimento de prazer, força, invencibilidade que torna difícil impedir o regresso ao local do jogo. Apesar de ser uma fase de jogo “recreativa”, o jogador já sente emoções intensas, tanto ao nível do divertimento e euforia como do “alheamento, escape e distanciamento” dos problemas e dificuldades do dia a dia. É neste período que se reforçam crenças sobre as suas próprias competências e habilidade no que diz respeito a ganhar. As perdas são sempre alvo de uma projecção da culpa para o “sistema”, os empregados, os maus conselhos, a hora, a máquina em que estão, etc.

Nesta fase já se vislumbram comportamentos pouco ajustados como, por exemplo; resolver conflitos conjugais/familiares indo ambos jogar e resolve-se aparentemente o problema, quando se ia jogar ao sábado e de repente já vão sexta-feira, sábado e quarta-feira; quando optam por não ir passar o fim de semana fora para poder apostar mais, ou só vão para algum sítio se houver por perto um local de jogo; etc. No entanto, as consequências negativas são pouco significativas; antes pelo contrário, as famílias até aprovam, porque o vêem a pessoa bem disposta e a voltar algumas vezes com dinheiro que é alegremente distribuído.

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Fase perdedora ou do resgate:

Esta fase segue-se à anterior, e tanto pode durar meses como pode durar anos, dependendo das características da pessoa e das circunstâncias. Lembramos a relação encontrada invariavelmente nas investigações, entre proximidade de um local de jogo e o aumento de jogadores abusivos e dependentes nessa área geográfica.

Este período também é conhecido como “do resgate” porque incide numa característica primordial do jogador, que consiste em querer recuperar o dinheiro perdido anteriormente... mediante novas apostas. Esta compulsão e impulsividade fazem com que o adicto ao jogo gaste mais dinheiro do que estava previsto. Frequentemente deixam os cartões de crédito no carro para se impedirem de despender o que não podem, como se tal artefacto fosse eficaz. É óbvio que mal se vêem sem dinheiro, vão arranjar dinheiro onde quer que seja. O facto de os locais de jogo facilitarem o acesso ao dinheiro não ajuda em nada a diminuição do prejuízo do jogador compulsivo.

Nesta fase, o prejuízo torna-se francamente superior aos ganhos e o orçamento mensal da família entra em colapso arrastando, juntamente com ausências do lar prolongadas, problemas a nível financeiro, profissional, conjugal e familiar. A própria auto-estima tão em alta, começa a estar francamente danificada. Este é um rude golpe para o narcisismo, o egocentrismo, a megalomania muito típica dos jogadores. A obsessão por jogar e por jogar para recuperar o dinheiro perdido torna-se cada vez mais intensa. A par da compulsão, surgem sentimentos de irritabilidade, depressão, culpa, vergonha que é na maior parte das vezes, muito bem camuflado para o exterior, chegando por vezes a iludir a própria família. O equilíbrio é mantido à custa de empréstimos, que permitem ao jogador continuar na espiral, mas a ansiedade aumenta, o medo de perder e não ter saída torna-se mais presente na mesma medida em que reforça crenças relativas a ganhos que lhe aumentam a excitação e adrenalina. A pressão começa a tornar-se insuportável.

As prioridades da pessoa começam a inverter-se, existe uma maior despreocupação perante os entes queridos, surgem mentiras sistemáticas para encobrir estas actividades, recorre-se a amigos para se desembaraçar da falta de liquidez para poder jogar e pagar dívidas de jogo. É o início de uma certa reactividade da família, que lhe retira meios financeiros, confronta com as ausências, sugere soluções para parar de jogar, começa a fazer diversos tipos de ameaças, etc. mas, são sugestões infrutíferas na maior parte das vezes. A reacção é pouco firme face à compulsão do jogador (as crenças, como a do resgate, ainda estão muito vivas) que ainda se sente pouco preparado e motivado para pedir ajuda no sentido de parar de jogar. Esta “pescadinha de rabo na boca” em que perde, pede emprestado para ir resgatar as perdas, e volta a jogar, e a pedir, etc., pode durar vários anos até que se entra na última fase.

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Fase do Desespero:

Nesta fase encontra-se instalada uma verdadeira compulsão e obsessão a tempo inteiro, que vai muito para além da impulsividade que caracteriza esta patologia. Todas as energias estão centradas no “ter” dinheiro para continuar a jogar o que é de certa forma uma forma paralela de jogo, pois dá-se uma vivência do tudo ou nada, do ir mais longe do que outrora (desfalques, empréstimos a juros altíssimos, esquemas, etc.), que leva a limites emocionais próximos do síndroma de burnout.

Todo o funcionamento da pessoa está comprometido, fruto da hi

sibilidade, irracionalidade, stress, irritabilidade, desespero que se instalou. As insónias, a produtividade e assiduidade, a presença em termos conjugais e sexuais, o envolvimento familiar e social, a própria condição espiritual (perda de auto-estima,  dignidade e respeito próprio) determinam uma espiral muito prejudicial e destrutiva. Um desespero assente na fuga para frente e no medo de não ter mais hipóteses de poder jogar. Se não arranja dinheiro para apostar vai sentir-se intensamente deprimido em paralelo com uma forte obsessão centrada no “arranjar” mais dinheiro. Frequentemente encontram dinheiro para pagar dívidas mas assim que o têm, vão jogar outra vez para poderem, não só pagar empréstimos como  continuarem a jogar e mostrarem a sua “superioridade”, ou que foram simplesmente vítimas de um azar temporário. É verdade que na maior parte dos casos os jogadores acreditam profundamente nesta ilusão (crença). O único contacto social que desenvolvem é com os “amigos” de jogo. Não é raro, no meio de tanta disfuncionalidade, sentirem que têm um problema de natureza mental.

É nesta fase que se podem dar casos de ideação suicida em 20% dos jogadores, dos quais 10% passam ao acto.

Em geral, esta fase termina em hospitais (enfartes, desastres, etc.), prisões (desfalques, falsificações, empréstimos não pagos), morte (suicídio, dívidas de alto risco não pagas, enfartes, etc.) ou no pedir de ajuda que pode significar o início de recuperação.

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Fase da recuperação mediante abstinência:

Só inicia esta fase quem passou pela última fase ou encontrou uma motivação muito forte que lhe permita estar uns meses sem jogar; tempo que lhe permite perceber toda aquela dinâmica e criar uma estrutura que o mantenha afastado de qualquer tipo de aposta. A solução mais fiável e segura para um jogador patológico é a abstinência total de qualquer tipo de aposta a dinheiro. O jogo a dinheiro, mesmo que num contexto social pode acordar o tigre adormecido. Está estudado, que existe uma componente bioneurológica na activação da impulsividade, compulsão, obsessão quando se estimulam determinados circuitos utilizados anteriormente nas fases de jogo activo (ausência de receptores D2, níveis anormais de serotonina ou dopamina, etc.).

Esta fase é por vezes contraditória, pois se por um lado o jogador inicia uma libertação de todo aquele condicionamento, sentindo um contentamento e euforia intensos, por outro lado, tem vontade de voltar a jogar e tem de gerir todas as consequências do seu jogo activo. O jogador sente uma grande pressão e medo perante a sua débil condição financeira, a sua relação conjugal e familiar onde reina a desconfiança e descrédito, o desemprego, marginalização social, etc.

Existem medos muito específicos nesta população. Existe o medo de rejeição tanto ao nível de familiares, como dos colegas de trabalhos e amigos. Dá-se frequentemente a tentação de ultrapassar esta eventual “não aceitação” dos outros pela tentativa de controlo financeiro. O dinheiro é fonte de segurança, de pertença e poder. Podem assim mostrar um “outro que não eles mesmos” pois sentem que se mostrassem como realmente são ninguém gostaria deles. Curiosamente, o dinheiro é fruto de todo este investimento, mas também é frequentemente alvo de um profundo desprezo. Em parte pelas características de grandiosidade e imagem, mas também pela facilidade com que gastavam grandes quantidades em curtos espaços de tempo. Um paciente sem grandes posses, em “recuperação” afirmou (em pleno 2007), que só voltava a jogar quando tivesse pelo menos 750 euros, pois de oura forma nem dá para aquecer. Esta sua valorização de imagem “big shot” a que atribui tanta importância traz-lhe por outro lado, um grande medo de perder o controlo, de fazer figuras ridículas por alguma razão. Este pavor de perder o controlo, afasta-os por vezes de relações de compromisso, sobretudo a nível conjugal.

Devido ao modo de vida muito intenso e instável, que levaram, o medo de serem descobertos e acusados, ou o medo de terem alguma perturbação mental, evidencia-se de forma evidente nas primeiras fases de recuperação (Lorenz, 1989).

Mantêm frequentemente, padrões antigos como mentir e manipular, mas também aderir a processos de apostas mentais sem dinheiro (o clube x vai ganhar ao clube y por 3-2...) procurando grande satisfação na confirmação da probabilidade. São estes, entre outros factores, que são preditivos de um processo de recaída, ao qual o terapeuta deve estar muito atento. O terapeuta deverá ter especial atenção ao habitual egocentrismo, à tentativa sistemática de desafio e manipulação face ao próprio terapeuta, à fraca capacidade empática, à debilitada capacidade de identificação e gestão de sentimentos que caracteriza esta fase inicial do tratamento, à tendência para a depressão, e não só...

Custer e Milt (1984), referiam no âmbito do programa de tratamento que elaboraram o seguinte: ”As causas profundas podem ser genéticas, mas possivelmente, foi influenciado por uma indiferença parental, negligência, hostilidade ou outros tipos de abusos, que produziram baixa auto-estima, uma imagem de si pobre, uma inabilidade para lidar com os problemas da vida e um desejo de encontrar alívio na fantasia e ilusão”.

Esta fase de recuperação é muitas vezes ignorada, por falta de conhecimento das pessoas, dos técnicos e dos media. É também uma fase difícil, demorada, com avanços e recuos em que se devem gerir várias frentes em simultâneo, a fim de ter sucesso.

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II) A RECUPERAÇÃO do JOGADOR:

 

1) Uma adicção diferente das outras:

Na sua base, a adicção ao jogo tem muitas semelhanças com outras dependências, em especial, com adicções sem substancias como as compras; o sexo e amor; a codependência ou mesmo a internet.

De facto, esta adicção não arrasta consequências evidentes noutras dependências, como, por exemplo, cheiro a álcool, olhos encarnados, embriaguez, degradação física, síndroma de abstinência ou tolerância evidentes. Existe “apenas”, entre outros sintomas, degradação física devido ao sono perturbado, à má alimentação e a todos os efeitos derivados de um stress intenso. Ao nível da abstinência, dá-se uma forte depressão ou irritabilidade se houver uma impossibilidade de jogar nos elevados parâmetros habituais. Dá-se uma necessidade de efectuar apostas mais elevadas a fim de obter o mesmo efeito de prazer. São, no entanto, consequências “facilmente disfarçáveis” pelos jogadores.

Acontece, como nas outras dependências com substância, uma procura tanto da euforia como do alheamento, só que em função dum comportamento, duma situação. Poderá dizer-se que existem várias substâncias que são libertas, no e pelo cérebro do jogador, em função de uma determinada acção; mas é uma substância interna como as endorfinas (Anderson & Brown, 1984).

Se bem que a base da adicção seja muito semelhante a todo o tipo de dependências, surgem duas diferenças essenciais em relação ao jogo patológico; a ausência de substância e as características do jogador. Como foi visto anteriormente no capítulo das características, o jogador tipo tende a ser muito competitivo, enérgico, inquieto, que se entedia facilmente, (DSM-IV-R, 2002). São em geral pessoas com licenciaturas, profissões com cargos de responsabilidade, com boas competências sociais, que procuram muito a aprovação dos outros, etc.

Pode considerar-se como outra diferença, a dificuldade acrescida em termos do início da abstinência, devido talvez às distorções cognitivas que lhes são intrínsecas, ao passo que nas outras dependências estas dificuldades estão muito ligadas ao consumo da substância propriamente dita, ou seja, não existiam previamente à fase de abuso ou dependência.

Outra diferença em termos específicos, è o facto da comorbilidade diagnóstica em relação à dependência de álcool e drogas. Mais de metade dos jogadores patológicos consomem álcool e drogas de forma abusiva, ao passo que os dependentes de álcool e drogas jogam de forma apenas recreativa, ou nem sequer jogam.

As distorções cognitivas ao nível das crenças de sorte e perseverança; ilusão de controlo; percepção de auto-eficácia; e de recuperar o tempo perdido são francamente superiores em relação, tanto a outras adicções como em relação à população geral, (ver seminário de investigação sobre comorbilidades diagnóstica no comportamento de jogo compulsivo). Continuam a efectuar-se inúmeras investigações ao nível das comorbilidades diagnósticas com perturbações psiquiátricas (personalidade anti-social, depressão, ansiedade, etc.).

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2) Tratamento:

Uma característica do jogador compulsivo que dificulta o seu tratamento, é a sua invisibilidade. É muito difícil para as pessoas que estão por perto, conseguir perceber os sintomas desta doença por duas razões. A primeira porque não existe alteração do estado de humor (não aparece embriagado ou pedrado, não tem ressaca física óbvia, etc.). A segunda razão prende-se com características próprias da maioria dos jogadores que são os seguintes: têm óptimos dons de manipulação, tanto dos outros como da sua própria imagem; conseguem negar/evitar sentimentos de intensa depressão e angústia após perdas; são despachados e eficazes na resolução de problemas financeiros e outros; têm boas competências sociais (apesar de uma insegurança e baixa auto-estima “crónica”); sendo muitas vezes profissionais com cargos de responsabilidade têm frequentemente bons alibis, possuem história de sucesso profissional, etc.

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a) Centros de tratamento:

Em Portugal, infelizmente não existem, nem centros de tratamento para jogadores patológicos, nem centros especializados para adicções sem substância. Estes centros tratamentos são úteis, não só pela recuperação que podem proporcionar aos seus utentes, mas também pelo conhecimento que produzem sobre esta população. É um produzir de saber ao nível das características, das diferenças e comorbilidades com outras substâncias e perturbações mentais que caracterizam um determinado segmento dos jogadores (os que têm vontade de resolver o problema).

Custer iniciou em 1971, a pedido dos Jogadores Anónimos de Ohio (USA), um modelo de tratamento inspirado em programas para dependentes alcoólicos, só que desenvolvido para adictos ao jogo numa base de “tentativa-erro”. Ainda hoje, estes tratamentos se centram em terapias individuais e de grupo; palestras temáticas; actividades terapêuticas lúdicas (filmes, jogos de confiança, etc.); trabalhos escritos (autobiografias, desenvolvimento de temas como negação, perfeccionismo, raiva, etc.) e para os centros com base no modelo Minnesota, existe o encaminhamento para os grupos de auto-ajuda dos Jogadores Anónimos.

Estes centros não só utilizam abordagens combinadas, como são formadas por equipes multidisciplinares formadas por: psiquiatras, psicólogos, técnicos de aconselhamento com formação específica em jogo patológico (alguns dele são jogadores em recuperação), assistentes sociais e monitores para o serviço nocturno.

Estes centros são úteis em casos de emergência e visam, sobretudo: a estabilização dos sintomas físicos; combater a ideação suicida; efectuar um diagnóstico prévio que tem especial atenção a consumos paralelos de álcool e drogas ou comorbilidades psiquiátricas e por fim proceder ao encaminhamento para a instituição mais adequada.

O centro de tratamento característico visa as seguintes prioridades: parar de jogar; reforço de confiança e auto-estima; desenvolvimento de outras formas de gratificação e prazer a fim de evitar o vazio deixado pela abstinência do jogo; estabelecer um plano realista de objectivos; um desses objectivos é a um plano de pagamento de dívidas; tentar o envolvimento da família no tratamento e outras entidades disponíveis; tentar que haja uma “ligação” e integração com pares e equipe técnica; perceber distorções cognitivas e mecanismos de defesa mais utilizados; encaminhar para um tratamento ambulatório e frequência de grupos de auto-ajuda.

Os tratamentos em ambulatório são uma opção ao internamento e são seguramente o percurso ideal para quem sai de um centro onde “viveu” seja 28 dias, seja três meses. O ambulatório utiliza uma metodologia parecida com a do internamento. A grande vantagem é que o paciente está em contacto com a realidade do dia a dia e pode assim, ir ajustando os seus antigos padrões de pensamento e comportamento à necessidades da abstinência. Utilizam-se na procura de soluções e alternativas para o paciente: terapias de individuais e de grupo, sessões com a família e em especial com o cônjuge, por vezes directores ou colegas de trabalho, palestras temáticas, jogos terapêuticos, trabalhos escritos específicos sobre o orgulho, grandiosidade, negação, objectivos, etc., e por vezes sessões de relaxamento. Lembra-se que este tipo de tratamento ambulatório implica uma relativa estabilidade do paciente e, sobretudo, uma forte motivação para a abstinência, sugerindo-se vivamente que siga as reuniões dos grupos de auto-ajuda de jogadores anónimos.

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b) Modelos explicativos; psicoterapias e suas diferentes abordagens:

Poderá dizer-se que existem quase tantas formas de tratamento para o jogo patológico, como existem modelos explicativos representando as diferentes abordagens psicoterapêuticas. Não acredito, nem utilizo apenas uma abordagem. Rendo-me às necessidades individuais de cada paciente, trilhando um caminho cuja base é cognitiva, mas vai beber a conceitos psicanalíticos, comportamentalistas e sistémicos. Todos os modelos contribuem, recorrendo inclusive á medicação em determinados casos, sob orientação de médicos ou psiquiatras com formação no campo das adicções.

 O modelo da adicção ou da dependência é aquele que me parece melhor circunscrever a problemática do jogo patológico. Este modelo, não exclui, antes pelo contrário, as abordagens que se seguem neste capítulo. É talvez numa perspectiva multidisciplinar que se consegue cercar de forma mais exaustiva a amplitude deste problema que passa pela: predisposição genética; aprendizagem em meio familiar e social; pelos traços de personalidade; pelas áreas conjugais, familiares, sociais, profissionais e também espirituais ao nível de princípios e valores.

Os critérios utilizados pelo DSM-IV ou pelo ICD-10 apontam nesta direcção, apesar de se situarem na perturbação do controlo dos impulsos não classificados noutro lugar. Existem nestes critérios; o síndroma de tolerância em que se apostam quantidades cada vez maiores para obter o mesmo prazer; o síndroma de abstinência em que o jogador tem irritabilidade, depressão e até sintomas físicos se não está possibilitado de apostar; sente incapacidade para resistir ao impulso de jogar; sente grande alívio ou prazer se joga; esta actividade traz problemas significativos à sua vida nas áreas conjugais, profissionais, sociais e espirituais e representa uma grande instabilidade na sua vida pessoal. Não se pode concluir destes critérios que esta dependência seja igual, ou sequer parecida a outras. Tem uma base comum ao nível dos factores anteriormente vistos, mas muito diferente por várias razões: é uma adicção sem substância; as próprias características desta população; a sua invisibilidade; as distorções cognitivas, a impulsividade, etc.

Os modelos terapêuticos que parecem melhor funcionar, e também aqueles que são mais difundidos, baseiam-se nos programas para outras dependências sem substância como as compras, o sexo ou a própria codependência, que por sua vez tiveram origem nos programas para dependências com substâncias (ver centros de tratamento).

 O modelo psicanalítico assenta na sua base habitual. Freud estudou com grande empenho as características destas pessoas. Elaborou um conhecido ensaio “Dostoevsky and parricide” baseado na interpretação de uma descrição “bastante autobiográfica” deste autor no seu livro “O Jogador” em 1866. A sua principal conclusão foi que existe no jogador um desejo não consciente de perder como forma de punição, que aliviaria sentimentos de culpa por atitudes e/ou desafios cometidos contra os pais numa infância precoce. Esta dinâmica seria transportada no presente na seguinte forma: tenho atitudes pouco próprias para um filho (jogar), este desafio traz-me culpa/vergonha (logo devo perder para me submeter à autoridade parental que é simbolizada pelas implacáveis leis das probabilidades), mas acabo sempre por me revoltar, pois não me sinto bem nesta situação (pulsão de morte) e utilizo a estratégia de sempre que consiste em desafiar novamente (pulsão de vida).

Dentro desta teoria surgem outras ligadas ao onanismo, ao egocentrismo e princípio de realidade da criança, á libido, relação édipiana, entre outras.

Se por um lado estas perspectivas podem ser explicativas, revelando algumas características presentes no jogador, esta abordagem psicoterapêutica apresenta pouca produtividade e eficácia por ser uma técnica demorada, com poucos resultados práticos e rápidos que a maioria dos casos necessita.

O modelo integrador de McCormick e Ramírez formula um resumo interessante dos factores etiológicos do jogo patológico. Seria em primeiro lugar, uma predisposição biológica ou genética transmitida hereditariamente; um fracasso na socialização e no desenvolvimento de competências psicossociais que se centraram numa atitude mais competitiva e menos cooperante. Por outro lado, existiria uma vivência de situações stressantes nas primeiras etapas da vida, assim como um restabelecimento recente com situações e eventos stressantes. O jogador patológico obedeceria a um determinado tipo de personalidade e poderia ter possíveis perturbações da personalidade (Villa, R. & Canal A., 1998). Seriam estas as principais áreas a trabalhar no contexto terapêutico.

 

A abordem comportamentalista apresenta um contexto muito diferente, centrada no “desaprender”, quebrando a resistência à extinção de mecanismos solidamente enraizados. Muitos destes comportamentos tiveram um reforço positivo muito forte (ganho financeiro e na auto-estima do jogador). Segundo Skinner (1953), a grande armadilha do jogador está na irrelevância que este dá ao longo prazo, ou seja; centra-se no reforço positivo que chegará rapidamente, não se importando com o facto de que o prémio bom poderá demorar meses, anos, ou simplesmente não acontecer...

A terapia aversiva teve, supostamente, algum sucesso nos ano 60 e 70, tentando a aprendizagem de um comportamento novo, com base na atribuição de um estímulo desagradável (choques eléctricos).

Alguns autores apregoam a aprendizagem do jogar social, em vez da tentativa de erradicação do comportamento. A abstinência total de qualquer tipo de aposta a dinheiro é um objectivo mais difícil, mas é, provavelmente, o mais seguro na prevenção de recaídas.

Lembrando que existem traços mnésicos muito intensos em que reflexos condicionados, associações de ideias a locais, situações ou pessoas podem fazer disparar o impulso para jogar.

É da mesma forma importante perceber, quais eram os estímulos antigos que conduziam ao acto de jogar a fim de se proceder à sua consciencialização e posterior dessensibilização.

A abordagem cognitiva, que cada vez é mais utilizada em sintonia com a comportamentalista incide, sobretudo no tomar consciência e “desmontar” das típicas distorções cognitivas (crenças) apresentadas pelo jogador patológico.

Como foi visto anteriormente, ou pode ser visto nos acetatos relativos à conferência “crenças e solidão”, existe um número infindável de crenças profundamente enraizados no jogador compulsivo.

Damos estes exemplos, entre muitos: “Sou mesmo especial e diferente”; “ tenho dons invulgares que me fazem ganhar”, “vou poder viver disto em vez de trabalhar por um mísero ordenado como todos os outros”; “Aplicando esta estratégia vou ganhar muito dinheiro para mim e para a minha família”; “vou só ver jogar para me distrair”; “ vou só jogar um pouco e assim que ganhar a quantidade desejada venho logo embora”, “ para me proteger e não jogar muito até deixo os cartões de crédito no carro”; “sinto que hoje é o meu dia de sorte”; “consigo dar a volta às probabilidades”; “tenho que ir lá reaver o dinheiro perdido pois é a única forma de resolver todos os problemas de uma vez”, “aqueles idiotas que lá estavam a olhar é que me deram azar”; “jogar é a minha forma de me realizar e cumprir o meu potencial”, “jogar é a verdadeira forma de me divertir”, etc.

A base da psicoterapia cognitiva está orientada para a correcção destas crenças que são, na maior parte das vezes irracionais. Estas distorções cognitivas acompanham o jogador, tanto durante o jogo, como antes e depois. Têm directamente a ver com a sua personalidade e com a sua perspectiva do mundo. O jogador faz uma utilização muito eficaz (contra si mesmo) de mecanismo de defesa como a intelectualização/racionalização; negação; manipulação; minimização, entre outros. Segundo Marlatt (1986), muito destes factores têm origem num meio social e familiar, em que o dinheiro e o poder eram muito valorizados em simultâneo com determinados traços de personalidade como a extroversão, hiperactividade, liderança, etc. É bom lembrar neste caso também, que o crescimento numa família disfuncional, em especial se um dos progenitores é um adicto ao jogo (ou outra dependência), implica uma predisposição muito superior.

O primeiro passo em relação ao tratamento, consiste na avaliação da motivação para a abstinência e no reconhecimento das consequências que o jogo compulsivo acarretou na sua vida conjugal, profissional, social, etc. Posteriormente é importante proceder à correcção das distorções cognitivas, analisando-as, tomando consciência delas, aferindo-as com a realidade e com a construção mental que o jogador elaborou para si. Estes exercícios passam pela verbalização desses conceitos; pela percepção que têm da vida, tanto em relação ao jogo como a outras áreas; na explicação do que são verdadeiramente probabilidades (de prémio), no contrariar de mecanismos de defesa utilizados exageradamente; perceber que estímulos (situações, pensamentos, pessoas, sentimentos, locais) despoletam vontades de jogar, etc. Existem outras técnicas muito úteis como o role-play, as sessões de relaxamento, leituras e exercícios específicos sobre temas como a auto-estima, a negação, o perfeccionismo, o orgulho, a vergonha e culpa, etc.

Após a clarificação destes conceitos, e duma “personalização” a cada caso, o terapeuta deverá encarregar-se em conjunto com o paciente, de verificar se a “fuga à realidade” é ou não mantida ou manipulada de alguma forma (o que é frequente). Não é por acaso, que existe um número elevado de desistências após as primeiras sessões de trabalho efectivo. A família tem neste processo um papel fundamental, pois ao integrar as sessões terapêuticas de forma regular, vai permitir um aprofundar da consciência do jogador e enriquecer a perspectiva do terapeuta. A mulher, filho, irmão, pais estão em permanente contacto com o paciente e se estiverem familiarizados com a dinâmica do tratamento, podem ter um contributo fulcral, tanto na correcção das crenças, como no reforço positivo das atitudes mais apropriadas do paciente.

Deve tentar-se em conjunto com o tratamento mais centrado na problemática do jogo, um desenvolvimento das competências psicossociais que será um garante de qualidade de vida e de prevenção de recaída (desenvolvimento de: assertividade, tomada de decisões, resolução de problemas, planificação; gestão de stress e sentimentos, etc.).

Salienta-se de novo a importância de uma abordagem multidisciplinar, face à amplitude das diferentes formas e contextos desta problemática. Esta abordagem multifacetada inclui perspectivas, técnicas e modelos explicativos pertencentes às diferentes áreas que vimos anteriormente. É sempre importante lembrar que se está ao serviço de quem precisa de ajuda, e não de uma ou outra abordagem...

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c) Jogadores Anónimos e grupos para familiares:

Jogadores Anónimos (Gamblers Anonymous), são uma associação internacional sem fins lucrativos, iniciados em 1957, compostos exclusivamente por voluntários, que têm ou tiveram um problema de jogo compulsivo e visam obter e manter a abstinência de qualquer tipo de aposta a dinheiro. Estes grupos são inspirados nos 12 passos de Alcoólicos Anónimos e seguem os mesmos princípios de abstinência total em relação ao jogo; de incapacidade de controlar o jogo activo; de evitar locais, situações e pessoas ligadas ao jogo; que a melhor prevenção à recaída é uma frequência assídua destas reuniões, não dizer nunca vivendo a abstinência um dia de cada vez, etc.

As grandes vantagens destes grupos de auto-ajuda são: a aceitação que existe entre membros sem julgamento de valores; a identificação, pois todos têm o mesmo problema e percursos de vida muito parecidos; sentirem-se integrados provocando um sentimento de pertença e integração; estarem orientados num estilo de vida; ser um local descontraído onde podem partilhar/”desabafar” os bons e maus momentos do presente e passado; o facto dos programa de 12 passos constituir um plano de mudança e crescimento pessoal que vai para além do simples facto de parar de jogar.

Centros de tratamento, terapeutas, instituições ligadas a esta problemática são quase unânimes no que respeita às vantagens destes grupos. Infelizmente as taxas de abandono são elevadas por várias razões, entre as quais citamos algumas: existência de alguns “rituais”, pessoas muito dogmáticas e depressivas, pouca empatia com o recém chegado, choque de personalidades, distância a percorrer, etc.

Existem também os Gam-Anon, que são uma associação idêntica que visa o apoio e orientação aos familiares e amigos de jogadores compulsivos, quer estejam ou não em abstinência.

Os Gam A-Teen são grupos vocacionados para jovens jogadores compulsivos, assim como já existem grupos para filhos adultos de jogadores, pois estes transportam características muito próprias e possuem um potencial elevado para desenvolver dependência de jogo ou outro tipo de adicção.

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d) Comorbilidades diagnósticas ao nível de outras dependências e perturbações mentais:

Cada vez mais, se comprova a existência de outros problemas no jogador patológico, tanto ao nível de outras dependências, como ao nível de perturbações da personalidade, como de problemas relacionados com ansiedade ou depressão.

Um estudo efectuado com dependentes alcoólicos e toxicodependentes no South Oaks Hospital, revelou que 20% destes tinham problemas relacionados com comportamentos abusivos de jogo e metade destes eram jogadores patológicos.

A minha pesquisa de seminário de investigação sobre comorbilidades diagnósticas foi inconclusiva quanto a perturbações da personalidade ou da ansiedade, mas evidenciou consumos de álcool e drogas em mais de metade dos jogadores patológicos no activo, e em mais de um terço dos jogadores patológicos em recuperação.

Bland et al (1993) revelam num estudo Canadiano que 63% dos jogadores possuem uma dependência alcoólica e 23% estariam dependentes de outras substâncias.

Ciarrochi e Richardson (1989) num estudo a jogadores anónimos dos Estados Unidos, revela que : 34% abusara de álcool, 6% abusara de drogas e 31% abusara de álcool e drogas.

Num trabalho de Lesieur (1998), sobre 50 mulheres pertencentes a jogadores anónimos de Nova York, faz-se referência às seguintes comorbilidade: 24% seriam compradoras compulsivas; 20% seriam “comedoras compulsivas (compulsive overeaters) e 12 % com possível dependência a nível sexual.

A personalidade anti-social surge muito representada nesta população. Bland et al (1993) chega a encontrar até 40% da amostra. Blaszczynski e conaghy (1994) revela 15% de uma amostra de 306 jogadores australianos. Tanto neste estudo, como noutros, convém sempre verificar se o inquérito não foi feito durante a fase activa de jogo, ou logo a seguir, pois a instabilidade a que o jogador é sujeita pode enviesar os dados.

Problemas de humor, ansiedade e depressão surgem muito representados em vários estudos, como por exemplo: McCormick et al (1984) aponta para 76% com um episódio depressivo major, 38% com hipomania e 8% com pelo menos um episódio de mania. Este autor salienta que jogar parecia servir, como o único antidepressivo que funcionava e que também era frequentemente resultado de episódios traumáticos. Linden, Pope & Jonas (1986) encontraram na população estudada que 76% já tinha tido um episódio depressivo, 52% com episódios depressivos recorrentes e 20% com ataques de pânico. Blaszczynski e conaghy (1989) referem, que valores elevados de stress e depressão, estão relacionados com o aumento da intensidade do comportamento de jogo compulsivo. Verificaram que jogar servia como antidepressor, mas também representava um mau ajustamento de estratégia de coping.

A tentativa de suicídio e a ideação suicida estão muito presentes na vida do jogador patológico. Numa pesquisa de Frank, Lester e Wexler (1991), em 152 membros de jogadores anónimos nos USA; 13% tentaram o suicídio, 48% consideram fazê-lo. Naqueles que tinham historial de tentativa de suicídio, verificou-se que: tinham começado a jogar antes dos 18 anos de idade; tinham dificuldades nos relacionamentos; tinham familiares com problemas de consumo de substâncias alteradoras do humor e tinham cometido ilegalidades fruto do jogar compulsivo. Outros estudos apontam até aos 20% na tentativa de suicídio.

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e) A família e o jogador:

A família é frequentemente a primeira, a saber, mas última a perceber e a realizar a dimensão do problema. Este facto deve-se à negação que é um mecanismo de defesa que impede de aceitar o alcance de todas as consequências a nível financeiro, familiar, conjugal, profissional, etc. que o jogo compulsivo arrasta. Outro factor que atrasa e entrada no processo de recuperação do jogador é a codependência de alguns, senão todos os elementos do núcleo familiar. A família tenta ajudar, mas em geral, torna-se permissiva ou reage, mas é incapaz de manter as novas regras estipuladas. A falta de orientação e de conhecimento remete muitas vezes ao prolongamento de uma situação que vai sempre piorar, enquanto não forem tomadas medidas eficazes. Por vezes o estigma social, a vergonha daí decorrente, faz com que este assunto seja um segredo de família guardado a sete chaves, a ponto de se recusar qualquer forma de ajuda; seja de jogadores anónimos ou de cariz  profissional.

Muitas vezes o jogo é quase uma tradição de família em que alguns podem ter abusado, mas a maioria joga recreativamente e alarma-se menos, pois está muito habituada a este ambiente. Muitas vezes o jogador tem origem em famílias disfuncionais em que o pai era ou é alcoólico, jogador, toxicodependente, ou uma família onde não havia regras, papeis e funções bem definidas, não existia expressão de afectos, onde havia excesso de autoridade ou uma grande permissividade, etc. Estas características familiares vão transformar-se em padrões de comportamento e pensamento que se tornam num terreno fértil para o desenvolvimento de adicções que vão de encontro à personalidade própria de cada um.

Convém lembrar que o jogador tem em geral óptimos dons de manipulação e uma sensibilidade emocional forte que lhe permite ir ajustando estes factores aos seus interesses que são essencialmente dois: a) arranjar dinheiro e b) para assim continuar a jogar...

A nível conjugal as consequências também são devastadoras. Muitas vezes o casal divertia-se m conjunto e frequentemente um dos dois só jogava recreativamente, até que por força do hábito e da exposição àqueles comportamentos e sentimentos intensos acaba por se tornar jogador problemático também. Não é raro o cônjuge pensar que existe uma amante, devido ao tempo e dinheiro despendido fora de casa em conjunto com uma atitude instável e distante. Em geral existe uma predisposição para ajudar, por vezes demais, chegando á facilitação pura e simples. Só ao fim de muitas promessas quebradas é que existem resoluções mais determinadas assentes numa atitude mais assertiva e firme. No entanto, como vimos anteriormente, é fácil o cônjuge do jogador perder-se nas dúvidas sobre a correcção das suas decisões, afectadas por um desgaste emocional muito violento.

Estudos apontam para uma maior predisposição de filhos de jogadores se tornarem eles próprios jogadores, ou alvo de outras adicções a substâncias ou da “simples” codependência. Isto acontece devido a uma eventual predisposição genética, mas também devido à vivência de um ambiente familiar disfuncional.

Como ajudar alguém que tem na sua família um jogador compulsivo: aprender o mais possível sobre este tema do jogo; falar com alguém que saiba minimamente do assunto; desabafar todos pensamentos e sentimentos decorrentes da situação com alguém de confiança; pedir ajuda e apoio, pois vivem uma instabilidade e confusão muito fortes a todos os níveis; proteger as suas finanças ao evitar empréstimos ou qualquer tipo de forma de acesso fácil ao jogador; se houver qualquer tipo de negligência ou abuso contacte alguém de confiança, a segurança social ou alguém especializado no assunto.

Se tiver um amigo com este problema experimente: ser claro nas suas preocupações; fale por si; saiba ouvir; seja objectivo no que pensa fazer e não fazer (emprestar dinheiro...); utilize exemplos específicos em vez de generalidades; diga como se sente face aos comportamentos dele; seja positivo; consciencialize-se da resistência e indiferença que possa surgir; mantenha-se centrado no problema; respeite limites sobre a liberdade da pessoa seguir o rumo que escolhe, dê informações precisas e:

Evite: julgamentos de valores; ameaças ou culpabilização; evite a tentação de ser o terapeuta; emprestar dinheiro; personalizar a eventual resistência que surgirá; criar expectativas numa mudança rápida ou em agradecimentos (lembre-se que jogar é actividade mais desejada e importante do da pessoa naquela fase).

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f) O Jogador e a sua actividade profissional:

Como vimos anteriormente o jogador compulsivo tem em geral, características que o distinguem de outras adicções, manifestando-se na sua actividade profissional. São postos de responsabilidade, de chefia, empresários, profissões liberais (advogados, médicos, gestores, etc.) que muitas vezes lhe permitem uma certa flexibilidade da gestão do tempo, assim como acesso a dinheiro (que não lhes pertence). Existem frequentemente; atrasos, incumprimentos nos prazos, conflitos dada a sua irritabilidade, assiduidade instável, desmarcação de reuniões, reduzida produtividade (fraca concentração e produtividade), pedidos de vales de empréstimo sobre o ordenado, etc.. Isto nas melhor das hipóteses, pois na pior encontram-se processos disciplinares, averiguações policiais, despedimentos com justa causa, perda de bom nome e respeito, etc.

Chegam ao ponto de ir de férias, apenas,  para locais onde existe a possibilidade de jogar.

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g) O jogo on-line:

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bib

Bibliografia   

Esta bibliografia representa apenas uma parcela do significativo trabalho de investigação que se faz no estrangeiro e não se limita ao texto acima referido.

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 III) ALGUMAS ESTATÍSTICAS:

 

 IV) ARTIGOS DE CARIZ CIENTÍFICO:

 

 V) ESTUDOS E INVESTIGAÇÕES:

 

 VI) CONTRIBUIÇÕES: ESTUDOS, TESTEMUNHOS, IDEIAS, etc.

 
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